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sexta-feira, 23 de julho de 2010

''Home office'' faz união de trabalho e vida pessoal

Segundo especialistas, trabalho em casa é forma de atrair profissionais e também uma chance de economia para empresas

Fernando Scheller - O Estado de S.Paulo

A gerente de recursos humanos da empresa de tecnologia Ericsson, Cintia Ozzetti, faz parte de uma tendência do mercado brasileiro: é uma profissional de grande corporação que trabalha ao menos parte do tempo em casa. Mãe de trigêmeas de oito anos, todas as terças-feiras ela almoça com a família, leva as crianças para a escola e faz pequenas tarefas domésticas. Com as ferramentas de "home office" - laptop e celular oferecidos pela
empresa -, resolve questões corporativas da sala de sua casa, enquanto as filhas fazem a lição de casa.

Para especialistas em recursos humanos, o "home office" ganha espaço à medida que as empresas adotam a gestão por metas - que prioriza o resultado final da companhia, e não o processo para obtê-lo. Grandes companhias hoje já se sentem confortáveis para flexibilizar o horário de trabalho e permitir que ao menos parte das tarefas possa ser feita remotamente. 

Ao adotar um ambiente de trabalho que foge do velho padrão "das 8h às 18h", as companhias conseguem manter funcionários valiosos e também descobrem vantagens econômicas.

Tome-se o exemplo da Ticket, empresa do setor de benefícios empresariais, que terceirizou 100% da força de vendas, com economia direta de R$ 3,5 milhões. Hoje, os 110 vendedores da empresa trabalham de casa, com autonomia total: agendam visitas, marcam apresentações e definem opróprio fluxo de trabalho, avisando a companhia por telefone ou e-mail.
Economia

O superintendente de vendas da Ticket, Eduardo Távora, diz que a iniciativa permitiu que a empresa fechasse 17 filiais no País, economizando com aluguel, luz e outras taxas. Além da redução de despesas, explica Távora, a operação também ganhou em agilidade: sem a
necessidade de ir à empresa todos os dias, os vendedores economizam tempo - e podem se dedicar mais ao cliente. "A aprovação do novo modelo é de mais de 90%. São poucos os funcionários que sentem falta do clima do escritório", afirma o executivo.

Gerente de negócios na Ticket, Michele Moreira trabalha em sistema de home office há três anos, e desenvolveu um modelo próprio de trabalho. Um dia por semana, fica em casa para fazer as "tarefas operacionais" e organizar a agenda: procura marcar compromissos fora do "pico" de trânsito em São Paulo e divide as visitas aos clientes por região, evitando deslocamentos desnecessários. "O resultado comercial é mais eficiente, a gente está na rua o tempo todo."

Atração de talentos

Oferecer a possibilidade de o trabalhador ficar um dia por semana em casa pode ser uma forma barata e eficiente de atrair bons profissionais, segundo Tatiana Balau, consultora do grupo de carreiras DMRH. Ela diz que já é comum o trabalho remoto entrar na negociação de contratos de trabalho: "É um aspecto que atrai profissionais de perfil sênior, os mais disputados no mercado. São pessoas preocupadas em ter tempo para a família."

Para os funcionários antigos, a consultora diz que é fundamental que as empresas comuniquem de forma clara a mudança no sistema de trabalho, mesmo que a adesão ao home office seja opcional. "É preciso que a organização do trabalho seja baseada em metas claras, com projetos baseados na entrega do resultado final, para que as pessoas se sintam confortáveis a trabalhar com mais autonomia."

A gerente de recursos humanos da Ericsson diz que 20% dos funcionários da empresa trabalham em casa pelo menos uma vez na semana: além do RH, as áreas de compras, finanças e de comunicação aderiram parcialmente ao home office. Após uma resistência inicial, em que algumas pessoas interpretaram que o trabalho em casa poderia significar um afastamento progressivo, Cintia Ozzetti diz que a comunicação clara sobre os ganhos de
qualidade de vida da iniciativa quebrou a barreira de desconfiança. "Todos os meses, a procura aumenta um pouco."

terça-feira, 6 de julho de 2010

A doce vida de um trabalhador em home office

No mundo corporativo, existem algumas concepções errôneas a respeito do dia a dia de trabalho de alguns profissionais.

Uma dessas concepções é a de que todos aqueles profissionais que tem viagens constantes em seu dia a dia são felizardos, pois conseguem trabalhar e fazer turismo ao mesmo tempo. Mal sabem as pessoas que isso não é a realidade. Muitas das vezes, os consultores que atuam quase como caixeiros viajantes passam seus dias entre hotéis, aeroportos e salas de clientes. Seu tempo livre é mais utilizado para colocar em dia e-mails, fazer anotações sobre seu dia de trabalho, escrever ou corrigir propostas, jantar no próprio quarto de hotel e dormir mais cedo, pois o dia seguinte será tão puxado quanto o anterior. Turismo? Só se vê as cidades pelas janelas dos taxis!

A mesma concepção errônea aparece quando pensamos nos profissionais que trabalham em home office. Ter seu escritório em casa é excelente, todos pensam, pois você não precisa nem sequer trocar de roupa, é trabalhar de pijamas o dia todo!

Como profissional que trabalha em parte em home office, isso não poderia ser mais distante da minha realidade. Minha rotina mudou, realmente, e ter meu escritório montado em casa, junto com um escritório comercial de minha empresa, trouxe coisas positivas de um lado, e negativas de outro.

Falemos, então, das coisas boas. Com certeza, não ter que enfrentar um trânsito quase que caótico para ir trabalhar é uma coisa excelente. Meu horário de trabalho, definido inicialmente por mim mesma, é de 9h às 18h. Acordaria às 8h, tomaria banho, café, tudo com calma, me sentaria em frente ao notebook para baixar os e-mails e iniciar meu dia de trabalho. Sem precisar pegar ônibus, taxi ou metrô. Poderia compatibilizar minha hora de almoço com meu metabolismo, sem precisar sair correndo para almoçar, comer comida caseira e do jeitinho que eu gosto. Daria até para dar uma descansadinha no meio do dia, ter mais flexibilidade para um cine no meio da tarde, essas coisas...

O dia a dia mostra que isso nem sempre é possível. Assim como em outras rotinas, tem cliente ligando às 8h da manhã para seu celular, reclamando porque seu telefone comercial não atende! Tem projetos a serem desenvolvidos que te fazem ficar até uma, duas da manhã acordada, com o notebook em cima das pernas, enquanto estou empulerada na cama, com a televisão ligada mas sem perceber o que está passando. Tem o telefone particular que toca no momento que você está no viva voz com um candidato, realizando uma entrevista por Skype e fazendo anotações ao mesmo tempo. Tem o vizinho que toca desesperadamente a campainha e você não pode atender porque está falando ao celular com um cliente. E, claro, tem cliente que não compreende que você busca uma forma mais flexível de trabalho, onde possibilita que seus custos diminuam quando você trabalha em casa e, por isso, não quer fechar aquele contrato com você simplesmente porque você não está no lugar onde ele quer que você esteja, no momento que ele considera adequado.

É claro que a qualidade de vida aumenta. Mas aumenta também o senso de responsabilidade, a necessidade de ser ultra organizado, ter uma força de vontade e perseverança enormes, para lutar contra a vontade de ficar na cama até mais tarde, de sair para passear enquanto está no horário de trabalho. Sua capacidade de administração de tempo também é colocada à prova, porque, em última estância, não possui um chefe e colegas tomando conta de tudo o que você faz, de que horas você chega, que horas você vai embora, quanto tempo demora no almoço ou quantas vezes vai ao banheiro ou tomar café. Você tem um prazo, e tem que cumpri-lo. Ponto final.


Até este momento, tenho me adaptado bem a essa realidade. Talvez ajude pelo fato de ficar sozinha o dia todo, pois a presença de uma outra pessoa na casa dificulta - e muito! - essa equação.


E você, que está lendo este post agora, qual sua opinião sobre trabalhar em Home Office? Já teve, ou tem, essa experiência? Conte um pouco como foi!



 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Mais empresas adotam o home office

O tradicional espaço de trabalho tem sido substituído pelo home office em uma em cada quatro empresas brasileiras. O número que até 2006 era menor - 15% de 3.700 companhias permitiam essa prática - vem aumentando aos poucos e, no último ano, subiu para 25% de 3.700 organizações.

Para Alexandre Barbosa, gerente do Centro de Estudos Sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) - responsável pela pesquisa -, a tendência é que essa porcentagem continue em ascensão. "Os avanços tecnológicos barateiam os custos e permitem que mais empresas adotem o modelo”, afirma.

Ainda sobre a atividade de home office, o levantamento revelou que o número de funcionários atuando em suas casas é maior nas companhias de grande porte. 62% das grandes empresas com mais de 250 funcionários e 43% das médias entre 100 e 249 contratados disponibilizam o acesso remoto ao seu sistema de computadores.

Outra mudança verificada no perfil das organizações está relacionada à adoção de aparatos tecnológicos. Dois terços das empresas (65%) declararam utilizar celulares corporativos. Destas, 25% acessam a internet pelo aparelho e outro 25% recebem e enviam e-mail. Nas empresas de porte maior - mais de 250 colaboradores - essa relação é mais intensa: 90% utilizam celulares corporativos, sendo que 53% dos usuários acessam a internet e conferem sua caixa de e-mails. Detalhe: não é o Sudeste que concentra o maior número de empresas usando o aparelho para fins corporativos. 70% das companhias avaliadas estão no Sul.

Fonte: Revista Você RH