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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Já vivenciou uma situação de Platitude?

Há dias, eu conheci uma nova palavra. Platitude. Talvez você ainda não a conheça, mas está exposto a ela tanto quanto ao ar que circunda tudo e todos. Eu poderia recorrer a um dicionário qualquer e esta crônica estaria terminada. Darei alguns exemplos. Assim fica mais claro.

Um caso campeão de platitude é um periódico de uma empresa de planos de saúde que recebo gratuitamente em casa. É bem diagramado e custa caro para imprimir. Lê-lo, no entanto, é só para quem tem boa digestão. São todos iguais. Já pensei em pedir cancelamento. Mas estou esperando a demissão dos imbecis atuais que o produzem. O que eles tentam fazer é o famoso “marketing de prestígio” a este ou àquele executivo de empresas recém chegadas ao quadro de clientes. E, convenhamos, não há como puxar
saco sem platitude.

Situações emblemáticas de platitude não faltam. Já esteve numa palestra de motivação? Platitude! Discursos políticos? Análise de tendências econômicas? “Missão, visão e valores” de quase todas as empresas? Planejamento estratégico? Revistas de vendas? Discurso do RH a funcionários demitidos? Reuniões em geral? Pregações religiosas? Platitudes puras!

Quem jamais ouviu em seu trabalho: “Nossos funcionários não fazem tudo o que se espera deles”; “Precisamos fazer uma pesquisa de clima organizacional”; “Não é o salário que irá motivar nosso pessoal, mas o ambiente mais amistoso”; “Elimine os custos financeiros e faça caixa”; “Renove a equipe de vendas”; “Corte os gastos”; “Vamos ganhar maior
penetração de mercado”; “Nossa empresa preocupa-se com a satisfação do cliente”. Platitudes.

Vejamos de perto. Treinar, padronizar, controlar, maximizar, minimizar, nada disso é decisão. São atribuições básicas. São “metas em aberto”. Assim como todo mundo precisa de alimento, custos precisam ser revistos, carteira de clientes e políticas comerciais discutidas e melhoradas, etc. Meta em aberto ou atribuições básicas não são planos de
ação que se discutam em reuniões, não são iniciativas inovadoras. Devem estar agregados à descrição de cargos. Quem não as cumpre é um inepto e tem que ir para a rua o quanto antes. No entanto, platitudes dão “agito” às tradicionais reuniões de revisão estratégica. Em quase todas organizações é assim.

Cuidado com a platitude disfarçada em apresentação de PowerPoint. No primeiro slide, um gráfico mostra que há espaço para melhorar o desempenho médio. No segundo, uma pilha de frases: “Aumentar volume de venda”, “Aumentar o preço médio” e “Diminuir custos”. No terceiro slide, números demonstrando que se as filiais abaixo da média forem para a
média a empresa irá faturar tantos milhões a mais no período. Todos se encantam. De repente, um tonto qualquer, de escalão mais baixo, levanta um dedo e pergunta: “Como vamos fazer isso?” Um dos “sábios estrategistas” da cúpula magistral responde com o queixo empinado: “Este é um simples problema de implementação”. A reunião está concluída, e nada, em absoluto, acontecerá depois disso. Fica apenas a
platitude perpetuada como ritualística também nesta empresa.

Entendeu o que platitude? Vejamos agora o dicionário. Platitude: substantivo feminino; qualidade do que é banal, monótono, trivial; caráter do que possui qualidade medíocre, sem expressão.

Se depois de tudo isso eu prosseguir escrevendo, já sabe, não é?


Abraham Shapiro (Consultor e coach de líderes - shapiro@shapiro.com.br)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A importância de ser estratégico em tempos de crise


Há muito tempo vem se discutindo o verdadeiro papel da área de Recursos Humanos e de seus profissionais dentro das organizações.

Acredito ser de amplo consenso que a área de RH pode ser considerada estratégica quando há um efetivo alinhamento entre sua estratégia e a estratégia definida pela organização, isto é, quando suas estratégias são desenhadas a fim de apoiar as estratégias corporativas.

Para que isso seja alcançado é necessário que o RH concentre suas atividades no core business da empresa. Deve enfatizar os objetivos corporativos e buscar ajudar a empresa a obter os resultados esperados, através da estruturação de processos que sejam flexíveis e dinâmicos. Com isso, podemos garantir uma participação efetiva do RH nas decisões estratégicas da empresa.

Contudo, quando nos encontramos frente a momentos de crise como a que todas as organizações mundiais estão passando neste período, Essa característica de adaptação e alinhamento com as estratégias organizacionais será imprescindível para manter o papel dos Recursos Humanos em destaque nas organizações.

Será necessário que seus profissionais saibam manter a calma, analisar atentamente o cenário no qual a empresa onde trabalha está inserido, e ter criatividade para realizar adaptações, buscar soluções alternativas para fazer com que os colaboradores da empresa mantenham-se motivados e, principalmente, cientes de tudo o que está se passando.

Neste momento, uma boa comunicação interna é capaz de prover toda a empresa de informações necessárias para que seus colaboradores possam também tomar as decisões mais acertadas frente às mudanças que virão.

Em tempo de apertar os cintos e reduzir despesas, durante os quais treinamentos e projetos de consultoria são cortados quase a zero, é necessário criar alternativas que permitam o crescimento e a valorização dos seus talentos. O papel da liderança é igualmente importante nessa ocasião, a fim de garantir aos colaboradores que todas as ações necessárias estão sendo tomadas para manter a saúde da organização e, em conseqüência, os empregos de todos.

Retenção ainda é um assunto importante e, mesmo em tempos de crise, a intenção de toda organização é manter seus talentos motivados. Contudo, são estes momentos que permitem que novos talentos sejam descobertos, pois é fato que nos momentos mais difíceis é que podemos perceber onde encontrar as jóias de nossa empresa. Muitas vezes, essas jóias estavam um pouco escondidas, ou necessitadas de lapidação, apenas aguardando um momento adequado para poderem se revelar.

Desta forma, quando nos encontramos frente à uma crise, temos que ter em mente que nem tudo está perdido. Temos que encarar esse momento como mais um desafio a ser enfrentado, e tirar dele toda a experiência e aprendizado que pode nos oferecer.

E, para que isso seja possível, a capacidade de se planejar adequadamente, estar antenado no que ocorre não apenas dentro da organização, mas também na sociedade e no contexto empresarial onde sua empresa se encontra é de extrema importância para que os profissionais de Recursos Humanos possam ter papel importante na superação deste momento turbulento.