É interessante analisar a dinâmica do mercado de trabalho, comparando-o com o nosso calendário. É sabido que todas as atividades profissionais passariam por algumas adaptações no período da Copa, porque os brasileiros tem que parar para assistir os jogos, mesmo aqueles cujas seleções não são expressivas.
Assim, vi agendas de trabalho serem montadas de acordo com a agenda dos jogos. Como consultora de RH, recebi vários pedidos de "por favor, poderia não agendar a entrevista em tal dia, tal horário? É que eu não gostaria de perder o jogo X, Y ou Z".
Então, comecei a me perguntar: o que é melhor para o brasileiro? Estar empregado ou assistir a um jogo, onde os jogadores envolvidos não tem conhecimento da situação desse torcedor e, muitas vezes, ganham salários que nunca iremos receber, merecendo muito menos...
Então, no site do UOL, leio a seguinte manchete: "Procura por emprego cai até 20% em SP durante a Copa".
É normal haver uma queda na procura de emprego em semanas onde existem feriados, principalmente os prolongados. Mas, uma queda em um período extenso, como é o do Mundial de Jogos, é mostrar que um dos problemas da falta de emprego está relacionado à falta de foco e senso de prioridade do brasileiro.
Afinal, sabemos que a busca de um emprego é tão trabalhosa quanto muitos projetos desenvolvidos dentro das organizações para as quais trabalhamos. Envolve planejamento, tempo, custos, planos A e B, foco no resultado e objetivos claramente definidos.
Mas, aparentemente, a grande maioria dos profissionais em busca de uma nova oportunidade não se deram conta disso - ainda. E, acredito, esta deve ser uma das causas por que muitos profissionais permanecem meses no mercado de trabalho, buscando uma nova colocação e não conseguem.
Mas, aparentemente, a grande maioria dos profissionais em busca de uma nova oportunidade não se deram conta disso - ainda. E, acredito, esta deve ser uma das causas por que muitos profissionais permanecem meses no mercado de trabalho, buscando uma nova colocação e não conseguem.
Depois, vão para fóruns de discussão, LinkedIns, jornais ou rodas de bate papo entre amigos se lamentar, colocar a culpa no Governo, nas empresas, consultorias e profissionais de RH.
Nosso post de ontem, sobre a escassez de profissionais no mercado, pode muito bem ser interpretado como direcionado para a escassez de vagas no mercado, uma vez que diagnostica que os profissionais que buscam uma nova colocação precisam ter é mudança de atitude!
E essa mudança deve iniciar-se através da adoção de uma postura mais assertiva, mais empreendedora, mais ousada até. O dia a dia organizacional pede pessoas inovadoras, mas é complicado ver inovação em profissionais que se mantém presos em atitudes conservadoras e tradicionais, pautadas em comportamentos que eram comuns há 20, 25 anos.
O cenário é bastante dinâmico e os profissionais que buscam novas oportunidades devem ser igualmente dinâmicos e saber identificar e agarrar as oportunidades. A procura por emprego pode ter caido, mas a oferta não!
Pensem nisso...

