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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Treinamento corporativo: você se comporta como um macaquinho?

Os experimentos de Skinner revolucionaram a Psicologia ao incorporar a estatística ao estudo do comportamento dos animais. Com sua engenhosidade mostrou como o treinamento pode influenciar atitudes. Mas quais seriam as influências disso no mundo corporativo?


No final da década de 1920, a Primeira Guerra Mundial acabara de terminar, deixando um enorme e traumático rastro de destruição, tanto física quanto psicológica. O principal consolo vinha dos divãs onde a psicanálise de Freud era a (única) resposta para tudo.
GolfinhosMas para o psicólogo americano B. F. Skinner, a grande influência vinha da obra do russo Ivan Pavlov e suas pesquisas com o condicionamento de cães.

Fascinavam-lhe as histórias sobre o como o cientista era capaz de fazer seus cães salivarem ao simples toque de uma sineta. Mas Skinner não via glamour nenhum na saliva do cão. Se a hipótese funcionava para uma glândula, especulava, deveria funcionar também para o organismo todo.

Para ele, tais idéias não poderiam se restringir a simples reflexos. Antes, deveriam se estender ao comportamento. Se Pavlov conseguira condicionar uma resposta involuntária a um estímulo, o mesmo não seria possível com uma resposta voluntária? Daria para condicionar um animal a realizar uma tarefa por meio de uma recompensa?

Já estudando em Harvard, Skinner herdou umas cobaias de laboratório de um colega que mudou-se de lá. Nessa época ele começou a construir suas famosas caixas: artefatos mecânicos complexos que o auxiliavam em suas pesquisas, dentro das quais observava as performances de seus camundongos e pombos. Uma sutil diferença com relação aos estudos do russo está na ordem dos eventos: enquanto que o estímulo (sineta) ocorria antes da resposta (salivação) nos experimentos dos cães de Pavlov, os ratinhos de Skinner recebiam comida depois de realizar uma tarefa.

Ao alimentar as cobaias depois que elas pisavam numa alavanca, por exemplo, Skinner ensinava-as que valia a pena pisar na alavanca. Pisar na alavanca significava ganhar uma recompensa: comida. Mas Skinner foi além e criou diversas variações para ver até que ponto o comportamento poderia ser aprendido. O ratinho apertava a alavanca uma vez e nada. Duas vezes e nada. Na terceira vinha a comida. Quando quis comer novamente, o ratinho apertou a alavanca três vezes seguidas. Espantoso!

Caixa de Skinner_02 Em seguida Skinner retirou a comida e mediu quanto tempo levava para o ratinho perceber que a farra acabara.
Depois a comida voltou, mas agora após sete apertos na alavanca. Depois
doze. Vinte. Treze. Milhares de variações, infinitas medições, atitudes rigorosamente cronometradas, mudanças comportamentais criteriosamente observadas.

As engenhosas Caixas de Skinner registravam todos os movimentos de suas cobaias. Um fabuloso volume de dados era gerado a cada nova sessão de experimentos. Em seus trabalhos observou-se, pela primeira vez, o extensivo uso de ferramentas e modelos estatísticos complexos, em vários níveis. Do seu rigor metodológico nasceu a verdadeira Ciência do Comportamento.


As variações seguintes foram igualmente reveladoras: as caixas foram programadas para liberar a comida de forma aleatória. Às vezes o ratinho ganhava comida depois de trinta apertos na alavanca. Às vezes saía sem nada. Vinte e três apertos e, oba, comida! Dezoito e nada. Apesar de a intuição sugerir que recompensas aleatórias ou muito espaçadas eliminam o comportamento, não foi o que Skinner observou. Ao contrário, ele percebeu que os hábitos baseados em recompensas irregulares são os mais difíceis de serem
quebrados
.

Com a ajuda dos ratinhos Skinner explicou porque perdemos fortunas em máquinas caça-níqueis e porque a leitora se apaixona pelo namorado que liga de vez em quando. Ou, usando o jargão habitual, como os reforços/recompensas intermitentes transformam-se em compulsão. Pomba Outro comportamento errático identificado por Skinner foi o que chamou de superstição dos pombos.

Trancada numa gaiola, a ave recebia comida em intervalos de tempo absolutamente aleatórios. Sem saber disso, ela acreditava que alguma atitude sua havia liberado a comida e passava, assim, a repetir aquele
gesto específico na esperança que mais comida fosse oferecida.

Isto é, se o pombo girasse o pescoço para a direita no exato momento que a comida aparecesse, ele imaginava que a comida havia aparecido graças a isso e, assim, passava a girar a cabeça para a direita freneticamente. Do mesmo modo que o técnico de futebol não troca de camisa e o jogador de bingo atribui sua sorte ao fato de não trocar de
cuecas há três dias. (Percebem como a superstição é uma atitude inteligente?)

Enquanto criava variações para seus experimentos, Skinner tornou-se um exímio adestrador de animais. Seu coelho depositava moedas num cofrinho. Seu gato tocava piano e seus pombos dançavam. E se animais com cérebros menores que um amendoim poderiam aprender tarefas compexas, de que seria capaz o homem? Com o treinamento adequado, qualquer um poderia aprender qualquer coisa.

Nas décadas de 1950 e 1960 seus métodos de condicionamento do comportamento foram levados a sanatórios psiquiátricos onde esquizofrênicos irrecuperáveis conseguiam aprender a realizar algumas tarefas quando recompensados. Modernamente, traumas, fobias e outros
distúrbios de ansiedade são tratados segundo suas teorias.

Outro lado muito explorado na biografia de Skinner refere-se às suas publicações não-científicas. Acreditado que aliando o poder da recompensa e reforço positivo a treinamentos específicos, seria possível condicionar seres humanos padronizando seus comportamentos numa sociedade pasteurizada.

Seu romance Walden Two descreve uma comunidade organizada em torno da engenharia do comportamento, governada não por políticos, mas por psicólogos. Dentro de um estilo de vida que não apoiasse guerras, competição ou conflitos sociais, as regras defenderiam o consumo mínimo, relações sociais ricas, felicidade pessoal, trabalho estimulante e lazer.

Uma utopia interessante, decerto necessitando algumas correções e semelhante a muitas comunidades já existentes por aí (vide o formidável "A vila" de M. Night Shyamalan). Mas nada mais do que ficção, assim como Admirável Mundo Novo, 1984 ou Laranja
Mecânica
. 

A verdade é que a maior parte daquilo que hoje sabemos a respeito de psicologia e educação - reforço e recompensa - é baseado exatamente nas obras de Skinner. Ele advogava, inclusive, que o aprendizado deve sempre estar ligado às recompensas e não à punição. 

Segundo ele, a única coisa que se aprende através da punição é a evitar ser punido. Se você leva um tapa por não saber a capital da Turquia, sua motivação será não apanhar, em vez de querer aprender. Ou então revidar. 

Assim como a obra de Pavlov, o legado de Skinner parece não nos saltar tanto aos olhos à primeira vista, talvez porque a maioria desses conceitos parecem já vir pregados no nosso cérebro desde que nos entendemos por gente. Mas este parece ser o definitivo reconhecimento da magnitude de sua contribuição, colocando Skinner como um dos grandes
cientistas do século XX.

Burrhus Frederic Skinner, o homem que compreendeu os mecanismos do aprendizado humano estudando ratos e pombos, morreu de leucemia em 1990, aos 86 anos.

SKINNER E A ADMINISTRAÇÃO

Três palavras saltam aos olhos neste texto sobre Skinner quando pensamos nas empresas atuais: reforços, recompensas e punições. No moderno jargão corporativo estes termos
são substituídos pelo singelo "cenouras e porretes".

Parece justo pensar que recompensas educam muito mais do que punições, mas a razão disso vai um pouco além da base moral desta idéia: uma recompensa motiva muito mais do que (evitar) uma punição.

Além disso, devemos considerar uma diferença fundamental entre nós e roedores e aves: nossas motivações estão um pouco acima da necessidade biológica que o ratinho e a pomba. Claro que comer também é importante para nós, mas levantamos cedo da cama todos os dias para algo além disso.

Recompensas materiais instantâneas estimulam o ratinho a realizar tarefas tão simples quanto apertar uma pequena alavanca - e isto vale também para aquelas tarefas que realizamos no piloto-automático, sem ter que pensar muito.

Mas, como disse no texto anterior, se você quiser uma realização um pouco além disso - um equipe inovadora ou uma solução criativa - terá que oferecer bem mais do que dinheiro. Ou será que Skinner jamais teve um ratinho ninja ou uma pomba endiabrada?

O QUE VEM POR AÍ


Ocorre, ainda, que na maioria das vezes o aprendizado é um processo coletivo e o grupo pode interferir de maneira decisiva na forma como aprendemos e nos comportamos.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Liderança se aprende vivendo

Chega um momento da vida profissional que nos deparamos com um impasse: como dar um passo adiante e evoluir em nossa carreira, assumindo uma posição de liderança?

Na maioria das organizações – e aparentemente, nos processos seletivos para MBAs também! – há uma crescente busca por profissionais que tenham exercido posições de liderança anteriormente. Esse questionamento surgiu quando, durante um bate papo de sábado a noite, uma das pessoas que compunha o grupo estava comentando a respeito de suas aplicações para cursos de MBA nos EUA, e ela questionava o que falar quando fosse perguntado a respeito de experiência com liderança.

Apesar de uma trajetória acadêmica brilhante, a preocupação dela é que, aos 25 anos, recém saída de dupla formação em Universidades paulistanas de primeira linha e mestrado em Administração, ela não teve oportunidade para ter uma posição efetiva de liderança em uma organização.

Tendo essa conversa em mente, gostaria de pensar um pouco sobre o que é Liderança. Existe uma vasta literatura que nos indica as várias definições para Liderança. Contudo, vamos partir do básico, do significado do próprio termo na língua portuguesa: função, posição, caráter de líder. Ou, melhor dizendo, seria a habilidade que uma pessoa teria para conduzir um grupo de pessoas em direção a um objetivo, de acordo com a Wikipédia.

Se formos pensar nessa simples definição, vemos que a posição de liderança é muito mais uma característica pessoal que pode ser encontrada em diversos momentos da nossa vida do que uma qualificação profissional específica.

Pensemos: uma pessoa que, frente a problemas familiares, assume a condução de seus parentes na direção da resolução efetiva destes problemas não poderia ser considerada um líder? Indo um pouco mais além: uma pessoa que, no meio de um grupo de amigos, é capaz de fazer com que eles cheguem a um denominador comum sobre onde jantar e depois sair para dançar no sábado a noite não poderia ser considerado um líder?

Assim, se pensarmos a respeito unicamente na simples definição de liderança, vemos lideres aptos em várias situações e vários locais. Liderança se mostra no dia a dia, de acordo com as situações apresentadas e das características de personalidade que diferenciam cada uma das pessoas.

Não entrarei aqui no mérito da questão dos conceitos e tipos de liderança. A intenção é discutir o significado puro e simples desta característica tão valorizada hoje em dia. Acredito que liderança é uma competência que pode ser desenvolvida nas pessoas, bastando proporcionar oportunidades que permitam que ela se coloque em situações de comando, assim como um bom coach para orientá-la.

Quando a pessoa é colocada frente à situações onde agir como um líder é importante para o desenvolvimento de suas capacidades e para o bom andamento do grupo, uma outra característica poderá ser também desenvolvida: a auto-estima. Freqüentemente, bons líderes demonstram possuir auto-estima elevada. E, auto-estima elevada provém de confiança em si mesmo e nos seus conhecimentos e suas opiniões. É demonstrar-se seguro frente às situações e saber tomar decisões adequadas ao problema apresentado.

Concluindo, se uma pessoa quer ser um bom líder, ela deve começar a praticar esta liderança com as pessoas que estão perto dela. Deve se expor e mostrar sua competência para tomar a frente das situações, sem medo de errar e de ter que começar de novo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Chefes ou funcionários imaturos: saiba reconhecê-los e lidar com eles

Imaturidade emocional no ambiente de trabalho é considerada um problema grave, dizem especialistas


A imaturidade emocional no ambiente de trabalho, se identificada, é considerada um problema grave. Isso porque, dizem especialistas, ela pode impactar os resultados da equipe e até mesmo a carreira do profissional.

De acordo com a gerente de consultoria da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Priscilla Telles, de modo geral, profissionais imaturos estão mais preocupados com a própria visibilidade, sendo que são pessoas que não possuem paciência para atingir objetivos.

Além disso, diz ela, estes funcionários possuem pouco senso corporativo, ou seja, têm excesso de informalidade, não seguindo as normas da empresa; e são excessivamente inseguros, visto que sentem sua posição constantemente ameaçada pelos colegas.

No mais, acrescenta a consultora de RH (Recursos Humanos) do Grupo Soma, Jane Souza, tais profissionais têm dificuldades para aceitar críticas e separar o profissional do pessoal.

Líder

No caso de líderes emocionalmente imaturos, diz Jane, os prejuízos para a empresa são ainda maiores. Pois, segundo ela, quando a imaturidade atinge o chefe, além de impactar a produtividade, a empresa pode perder bons profissionais.

Como líderes imaturos, dizem as especialistas, podem ser incluídos aqueles que costumam criticar em momentos inadequados, chamar a atenção das pessoas na frente de outros membros da equipe, além daqueles que demonstram preferência por um ou outro funcionário e costumam avaliar levando mais em consideração o pessoal do que o profissional.

Como lidar?

Assim, na opinião de Priscilla, a melhor maneira de lidar com um líder emocionalmente imaturo é mostrar-se uma pessoa companheira. “Dessa forma, o líder se sentirá menos ameaçado e se tornará uma pessoa mais maleável”, diz.

Já o líder que possui um funcionário imaturo, segundo Jane, deve tentar ajudar este profissional a reconhecer suas limitações, mostrando por meio de fatos concretos, para que a pessoa tente melhorar.

As causas da imaturidade

Ao contrário do que muitos possam imaginar, a imaturidade não está preponderantemente ligada à idade, mas sim, às experiências e vivências daquele profissional, tanto no âmbito pessoal como no profissional.

Por fim, dizem as especialistas, seja qual for a posição ocupada pelo profissional, é importante que ele preste atenção às suas atitudes e tente sempre desenvolver a capacidade analítica e a ponderação.

Por Gladys Ferraz Magalhães, InfoMoney

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ponha seu talento para circular - 3ª parte

Cada um de nós possui uma habilidade que é única. Descobri-la e colocá-la em prática é necessário e requer autoconhecimento

Por Angela Tessecini - Revista Vida Natural & Equilíbrio



Talento e valores
Segundo a psicóloga Tânia Casado, da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em carreiras, o comportamento humano é basicamente determinado por dois fatores: nossos traços, que são aspectos inatos da personalidade, e nossos valores, que determinam para onde direcionamos esses aspectos. Éticos, estéticos, políticos ou religiosos que sejam, é importante identificar quais são os seus e notar como eles condicionam seus relacionamentos e amizades. “Você precisa se conhecer. Quando você programa um GPS para conduzi-lo a um destino, ele sempre pergunta a origem. Sem saber de onde você vem, sem autoconhecimento, não é possível direcionar metas”, conclui.

Para determinar seus reais valores, pergunte-se:
• Quais dos meus dons significam mais pra mim?
• O que mais amo em mim?
• O que os outros mais amam em mim?
• Amizade, trabalho criativo, paz interior ou gentileza: qual desses itens é mais importante para mim a ponto de eu me sacrificar por ele?
  Aprenda a se conhecer
Pegue duas folhas em branco. Em uma delas faça um resumo da história da sua vida (os acontecimentos mais marcantes, o que mais gostou, os seus projetos, realizados ou não). Na outra, responda às perguntas abaixo. É permitido pedir ajuda.

1. Quais as brincadeiras mais originais ou não que você fazia quando pequeno?
2. Qual o lugar, real ou imaginário, que você sente ser só seu?
3. Qual seu maior medo racional ou irracional?
4. Complete a frase: não vivo sem...
5. Você tem sonhos recorrentes? Quais? Se não tiver, anote um sonho que o tenha marcado.
6. Olfato, paladar, audição, tato ou visão: qual o seu sentido mais forte?
7. O que você faz naturalmente bem? O que faz com facilidade? Amizade? Atividades artísticas? Esporte?
8. O que você faz com dificuldade?
9. O que você faz nos momentos em que se sente mais feliz?

Compare agora as duas folhas e veja o quanto a primeira responde às questões da segunda. Você pode se surpreender ao notar que a relação entre as duas pode ser pequena. Sinal de que em algum momento da vida você se afastou do seu eu. Nesse caso, é hora de tentar recuperar o que está descrito na sua biografia. A verdadeira proposta desse exercício é ajudá-lo a se descobrir melhor. Para resumir a importância dessa descoberta, a psicóloga Tânia Casado gosta de citar uma frase de sua tia Sofia: “Quando você não sabe para onde quer ir, nenhum caminho serve”.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ponha seu talento para circular - 2ª parte

Cada um de nós possui uma habilidade que é única. Descobri-la e colocá-la em prática é necessário e requer autoconhecimento


Por Angela Tessecini - Revista Vida Natural & Equilíbrio

Passamos horas trabalhando, portanto, é importante fazer da
profissão uma expressão de nossa aptidão
Infelizmente, a maioria de nós ainda está longe de conhecer o próprio potencial. Muitas vezes, nos rendemos às crenças construídas na infância. Com um agravante: elas quase nunca refletem a realidade, pois foram contorcidas pelos filtros imaturos da meninice, quando acreditávamos em tudo o que os outros nos diziam sobre nós mesmos. Por exemplo: uma criança pode ter talento artístico, mas se essa habilidade não estiver em consonância com os valores da família, ela pode acabar reprimindo sua habilidade inata para desenvolver qualidades em outra direção. Assim como os casos mais comuns de filhos que seguem a profissão sonhada pelos pais apenas para não desagradá-los.

O pior de tudo é que, a partir daí, as crenças funcionam como um software incorporado em nós passamos o resto da vida tentando corres ponder a elas. E aí nos tornamos pessoas infelizes, certas de que não sabemos fazer nada direito, pulamos de emprego em emprego à procura de realização. “Passamos muitas horas trabalhando, por isso, é importante fazer da profissão uma expressão de nossos talentos e vocação”, aconselha Tânia Casado.

Que venha o talento

A saída, então, é investir no autoconhecimento. Quem se conhece bem sabe o que quer e consegue fazer escolhas adequadas, que tragam realização, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. “Algumas pessoas têm mais facilidade em profissões que envolvam relacionamentos interpessoais, outras se sentem mais à vontade trabalhando em meio a números e cálculos”, explica a professora da USP. Muitos profissionais de psicologia aplicam testes que ajudam a reconhecer o que nos diferencia dos outros. Isso não quer dizer que só podemos trabalhar naquilo para o qual temos talento. Ao contrário, se nos aplicarmos, podemos aprender a fazer qualquer coisa, mas quando escolhemos uma profissão que permite a expressão dessas habilidades inatas, tudo flui com mais facilidade e competência. Veja no post de amanhã um box com alguns exercícios que ajudam a se conhecer melhor e a trazer à tona o seu talento.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ponha seu talento para circular - 1ª parte

Cada um de nós possui uma habilidade que é única. Descobri-la e colocá-la em prática é necessário e requer autoconhecimento


Por Angela Tessecini - Revista Vida Natural & Equilíbrio

FOTOS: SHUTHERSTOCK
Ele é associado à ideia de genialidade, embora nem sempre a represente. Está dentro de nós, mas, muitas vezes, não conseguimos reconhecê-lo. Costumamos achar que apenas as realizações grandiosas merecem sua apreciação. Estamos falando do talento, o protagonista desta reportagem. É verdade que cada um de nós é portador de sonhos, paixões e habilidades únicos, e quando permitimos que eles atuem por meio de ações ou de trabalho, sentimos o peito transbordar de felicidade. Sinal de que estamos no caminho certo e de que nossa energia criativa está livre para agir. O problema é que nem sempre sabemos reconhecer esses atributos ou permitir que eles venham à tona. Então, como descobrir o talento que existe na gente?

Derrubando mitos

Antes de tudo é preciso desmistificar o conceito de talento, abandonando a ideia de que ele representa uma qualidade rara ou um privilégio de poucos gênios. Tal habilidade está ao alcance de todos e podemos sentila cada vez que nos permitimos dar vazão à nossa essência. Quem age por essa aptidão torna-se uma pessoa mais criativa, instintiva, confiante além de ter mais saúde, afinal, menor será o estresse. Ao contrário, quem renega o íntimo geralmente age com arrogância, tem dificuldade em compreender as motivações, é confuso e procura não olhar para dentro.

Outro mito a ser derrubado é aquele que diz que o talento sempre tem a ver com dinheiro, fama ou sucesso. Para muitas pessoas, a realização encontra-se nas pequenas coisas da vida. É importante olhar para dentro e entender de que forma nos realizamos, quais são as coisas para as quais temos mais facilidade. “Se formos incapazes de reconhecer o próprio talento, vamos acabar perseguindo os sonhos de outras pessoas”, diz a psicóloga Tânia Casado, da Universidade de São Paulo (USP). Ela criou um diagnóstico de tipo psicológico (DTP), baseado na tipologia desenvolvida no início do século 20 pelo psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).